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Pix em 2025: últimas estatísticas e novidades do Banco Central

Nos últimos anos, não faltaram notícias sobre os relevantes impactos do Pix no Brasil. O sistema de pagamentos instantâneos, também chamado no jargão do setor de RTP (real-time payment) ou A2A (account-to-account), foi um marco no mercado brasileiro. Diversos países já manifestaram interesse de entender mais sobre o caso do Pix no Brasil e até mesmo como replicá-lo.
Foi em novembro de 2020 o lançamento do Pix no Brasil e desde então os números de transações e o volume movimentado não pararam de crescer. O sistema opera 24/7 e conta com uma sofisticada infraestrutura tecnológica desenvolvida e gerenciada diretamente pelo Banco Central do Brasil (BCB), que além de ser o operador do sistema, conectando todas as instituições participantes do arranjo de pagamentos, também é o regulador que estabelece as regras operacionais do Pix no Brasil.
De acordo com o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Dias Gomes, uma variedade de fatores ajudou a impulsionar o uso do Pix no Brasil: a padronização da experiência do usuário, a obrigatoriedade de participação dos maiores bancos do país, a gratuidade, a variedade de casos de uso e o momento do seu lançamento, durante a pandemia da Covid-19.1
Desde o início do Pix no Brasil, as transações P2P foram a principal caso de uso puxando a rápida adoção do sistema, por atender a necessidade de transferências e pagamentos entre pessoas de maneira instantânea, ilimitada, fácil e, o mais importante, sem a cobrança de qualquer taxa.
Com o tempo, outros casos de uso foram ganhando força, como os pagamentos presenciais a lojistas, não só via transferência, mas QR Code. A adoção no e-commerce, que levou certo tempo com as plataformas tendo de adaptar seus hardwares e sistemas de pagamento para aceitar o novo método, já está totalmente disseminada – das grandes redes varejistas aos comerciantes informais, a maioria aceita Pix como pagamento.

Pix no Brazil: últimas estatísticas
O Banco Central mantém os dados e estatísticas relacionadas ao Pix sempre disponíveis e atualizadas (elas podem ser conferidas aqui).
| 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | |
| Transações | 9.4 bilhões | 24.0 bilhões | 42.0 bilhões | 63.4 bilhões |
| Volume BRL | 5.2 trilhões | 10.9 trilhões | 17.2 trilhões | 26.4 trilhões |
| Volume USD$ | 962 bilhões | 2.1 trilhões | 3.3 trilhões | 4.6 trilhões |
Existem nove casos de uso do Pix no Brasil, envolvendo pessoas, empresas e governos. Alguns deles vêm ganhando mais espaço entre o volume transacionado do sistema:
No primeiro trimestre completo de operação do Pix no Brasil (primeiro trimestre de 2021), a maioria das transações era P2P (79%), seguida por pessoa-para-empresas ou P2B (10%) e empresas-para-pessoas ou B2P (9%). Já no volume total transacionado, P2P representava 44%, B2B 35% e B2P com 12%.
No primeiro trimestre de 2025 (último com dados disponíveis), a maior parte das transações (46%) continuou sendo P2P, mas as operações P2B (41%) ganharam mais relevância. As transações B2P, por sua vez, representaram 9% do total. No volume transacionado, como era de se esperar, também houve uma mudança importante: o maior volume passou a vir das transações B2B, com 46%, seguidas das P2P (28%). As operações B2P continuaram representando 12% do total.
Essas mudanças de participação dos casos de uso reflete uma curva de aprendizado e de adesão do sistema pela população. É comum que a adoção de um RTP como o Pix comece com transações P2P e, pouco a pouco, expanda para outras situações de uso.
No dia 6 de abril de 2024, o Pix bateu seu novo recorde de transações em um só dia, com 250,5 milhões de transações processadas e BRL 124,4 bilhões movimentados. Se compararmos o número ao tamanho da população adulta do país (162,9 milhões), fica claro o quanto o Pix já é parte do dia a dia dos brasileiros.
Pessoa Física
| Se cadastrou no Pix | 165.04 milhões |
| Recebeu um pagamento Pix | 160 milhões |
| Realizou um pagamento Pix | 156.6 milhões |
Pessoa Jurídica
| Se cadastrou no Pix | 19.2 milhões |
| Recebeu um pagamento Pix | 17.8 milhões |
| Realizou um pagamento Pix | 18.2 milhões |
A PCMI acompanha a evolução do Pix desde antes do seu lançamento e está extremamente bem posicionada para responder quaisquer dúvidas sobre o Pix no Brasil, desde aspectos relacionados ao comportamento dos consumidores à crescente adoção do sistema e seus impactos no uso do dinheiro em espécie e outros métodos de pagamento.

O que esperar do Pix no Brasil 2025
Os últimos avanços do Pix no Brasil vêm permitindo o desenvolvimento de uma série de aplicações por diferentes players. Em conjunto com o Open Finance e outras regulamentações, continua a atrair a atenção do mercado e a ser um exemplo global do sucesso de um sistema RTP ou A2A.
Pix Agendado
Definição: transferência iniciada e gerenciada pelo pagador.
O Pix Agendado foi lançado em outubro de 2024, mas o Banco Central concedeu um prazo até abril de 2025 para que as instituições que ainda não ofereciam a ferramenta pudessem se adaptar.
Pix Agendado
O Pix Agendado é uma transferência programada pelo pagador (que pode ser pessoa física ou empresa) para ser realizada em determinada data.
Pix Agendado Recorrente
O Pix Agendado Recorrente é uma transferência programada pelo pagador para ser realizada com determinada periodicidade e com um valor fixo, como por exemplo o pgamento de um aluguel ou da mesada dos filhos.
Pix por aproximação
Definição: um método de transação que permite pagamentos usando Pix por meio da tecnologia por aproximação.
Lançado em 28 de fevereiro de 2025.
O Pix por Aproximação é um novo recurso que permite aos usuários realizarem pagamentos instantâneos simplesmente aproximando o smartphone de um terminal compatível. Essa inovação traz a conveniência dos pagamentos por aproximação para o amplamente utilizado sistema Pix no Brasil.
Diferente das transações tradicionais do Pix, que exigem a leitura de um QR Code ou a inserção manual dos dados de pagamento, o Pix por Aproximação utiliza a tecnologia NFC (Near Field Communication), tornando o processo mais rápido e fluido. Para ativar essa funcionalidade, os usuários precisam cadastrar sua chave Pix na carteira do sistema operacional do smartphone e habilitar o recurso no aplicativo do banco ou da carteira digital. A experiência de pagamento é semelhante à dos cartões por aproximação, permitindo que os usuários concluam compras com um simples toque.
Atualmente, o Pix por Aproximação está disponível apenas para usuários de Android por meio do Google Wallet e pode ser utilizado em terminais de pagamento das seguintes empresas: Azulzinha, Bin, Cielo, Fiserv, Getnet, Mercado Pago, PagBank, Rede (Itaú), Safra Pay, Sicredi, Stone e SumUp.
Pix Automático
Definição: transação de cobrança iniciada e gerenciada pelo recebedor (exclusivamente para empresas).
O Pix Automático está previsto para ser lançado oficialmente em junho de 2025 e tem como objetivo democratizar o acesso aos pagamentos recorrentes, hoje restrito no Brasil a dois métodos: débito automático e cartões de crédito.
O débito automático exige que tanto o recebedor quanto o pagador possuam conta bancária na mesma instituição, o que dificulta esse tipo de oferta por pequenas empresas. Já o cartão de crédito ainda é um produto restrito para a maior parte da população.
Com o Pix Automático, o recebedor (empresa) estabelecerá uma instrução de cobrança recorrente que deverá ser autorizada pelo pagador. Assim, as transações recorrentes serão debitadas diretamente da conta do pagador, com um valor fixo ou variável. Entre os exemplos práticos de uso para essa funcionalidade está o pagamento de mensalidade escolar (valores fixos) e o pagamento de contas de luz e água (valores variáveis).
Pix Internacional
Definição: uma conexão entre o Pix e outros sistemas de pagamentos instantâneos (RTP) ou esquemas de transferência conta a conta (A2A) transfronteiriços.
O sucesso do Pix no Brasil atraiu a atenção de diversos países e empresas, que têm tentado desenvolver soluções que permitam o uso do sistema para pagamentos internacionais.
Em junho de 2023, a processadora de pagamentos Fiserv2 anunciou uma solução para permitir que turistas brasileiros pagassem com Pix na Argentina. Disponível para os estabelecimentos que usam as maquininhas da Fiserv, a solução é executada por meio da leitura de um QR Code. Apesar de ser concluída instantaneamente, a transação continua sendo caracterizada como internacional, sujeita ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Além da Argentina, também está disponível no Uruguai e deve chegar aos Estados Unidos em 2025.3,4
Soluções como essa, porém, ainda dependem de infraestruturas intermediárias para liquidação dos pagamentos para os lojistas. O sistema do Pix ainda não possui integração internacional com outros sistemas de pagamento, embora isto já esteja em discussão.
Em novembro de 2023, em um artigo publicado pelo BIS sobre a relação entre o Banco Central e a entidade, o presidente da autoridade monetária brasileira mencionou que “a próxima etapa será a integração do Pix e a internacionalização da moeda, permitindo que os clientes façam pagamentos internacionais instantâneos”.5
No mês seguinte, durante uma durante reunião do G20, Campos Neto reiterou a informação, dizendo que o Banco Central vai trabalhar para criar regras para pagamentos internacionais e que já está trabalhando com o Banco Central da Itália para definir um conjunto de regras básicas.6 Com uma possível integração entre bancos centrais através do BIS, será possível no futuro estabelecer um sistema de pagamentos instantâneos internacional, e sendo o Pix um benchmark quando o assunto é RTP, muito provavelmente este será utilizado como fundamento.
Próximos passos
Quer saber mais sobre o Pix e como empresas brasileiras e internacionais podem tirar proveito do sistema para expandir sua atuação? Entre em contato conosco!
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Fontes:
- InfoMoney. Depósito de “bem-estar”, Abr 2024. ↩︎
- Ribeiro, M. (June 13, 2024). “Fiserv permitirá pagamentos com Pix na Argentina“. Valor-Globo ↩︎
- Marek, L. (April 4, 2024). “Fiserv to let Brazilians use Pix in US“. PaymentsDive ↩︎
- Ribeiro, M. (June 13, 2024). “Fiserv permitirá pagamentos com Pix na Argentina“. Valor-Globo ↩︎
- Roberto de Oliveira Campos Neto, 2023. “The BIS and Banco Central do Brasil relationship: lessons learned and challenges ahead,” BIS Papers chapters, in: Bank for International Settlements (ed.), Central banking in the Americas: Lessons from two decades, volume 127, pages 41-54, Bank for International Settlements. ↩︎
- Verdélio, A. (December 7, 2023). “No G20, Banco Central quer criar regras para pagamentos internacionais“. Agência Brasil para pagamentos internacionais ↩︎
MRC. The evolution of Pix in Brazil, Jan 2024.
Consumidor Moderno. O futuro do dinheiro é o Pix, Fev 2024.
Valor. Pix automático “passa por uma fase difícil”, Abr 2024.
Valor. Entenda o que são Pix automático, Pix no open finance, transferência inteligente e agendamento recorrente, Abr 2024.

