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4 principais tendências nos métodos de pagamento globais

Gráficos neste artigo:
- Principais métodos de pagamento no comércio eletrônico global
- Principais métodos de pagamento em pontos de venda (POS) no mundo
- Participação das carteiras digitais nas transações de ponto de venda (POS) na Índia
- Estados Unidos: adoção de carteiras digitais entre a geração Z
- Top 5 mercados de pagamentos em tempo real no mundo
- Participação do Pix nas vendas do comércio eletrônico no Brasil
- Como os consumidores costumam adicionar saldo às suas carteiras digitais no mundo
- Pagamentos em dinheiro no ponto de venda (POS) no mundo: 2024 vs. 20307
- Diagnóstico do uso de dinheiro na América Latina (em inglês)
Com uma variedade cada vez maior de alternativas de pagamento à disposição dos consumidores, os atores do ecossistema de pagamentos precisam observar e ficar atentos a essas mudanças e ajustar suas estratégias de acordo com o crescimento e diminuição no uso dos diferentes métodos. Muitos desses meios de pagamento, que abrangem desde cartões de crédito tradicionais e transferências bancárias a carteiras digitais de ponta e criptomoedas, mudaram para sempre a forma como os consumidores gastam e fazem pagamentos em suas economias locais – e às vezes em regiões inteiras. Os casos mais disruptivos dos últimos anos incluem:
O uso do Pix no Brasil, que já responde por uma participação de 40% no volume de pagamentos no comércio eletrônico em 2024, segundo dados da PCMI
O uso do sistema de pagamentos em tempo real UPI na Índia, que representou 55% do comércio eletrônico em 2024, segundo a PCMI
A carteira digital M-PESA, que se expandiu para vários países africanos, incluindo Tanzânia, Moçambique, República Democrática do Congo, Lesoto, Gana, Egito e Etiópia. No seu país de origem, o Quênia, o M-PESA tem uma penetração superior a 90%.
Neste artigo, apresentaremos um panorama atualizado dos métodos de pagamento globais e analisaremos as últimas tendências que vêm impactando a maioria das regiões. O objetivo é oferecer uma compreensão atual das novas preferências dos consumidores e das razões por trás delas.
Obtenha mais informações sobre métodos de pagamento em todo o mundo:
Principais métodos de pagamento globais em 2025
Um relatório divulgado recentemente pela Worldpay (2025)1 traz um resumo dos métodos de pagamento mais usados no mundo e uma previsão da participação de cada um deles no volume de pagamentos em 2030 (ver os dois gráficos abaixo).
Nesse relatório, a Worldpay faz uma distinção entre pagamentos presenciais no ponto de venda (point of sale ou POS, na sigla em inglês) e métodos de pagamento usados no comércio eletrônico. Embora em termos de participação os três principais métodos sejam os mesmos para ambos, observam-se algumas divergências interessantes no que se refere a outras formas de pagamento. Por exemplo, no ponto de venda ainda há uma preferência pelo dinheiro em espécie (que representa 15% do total de pagamentos), enquanto seu uso nas transações online é de apenas 2%.


Ampliando o foco: tendências nos métodos de pagamento globais
Quando analisamos os dados um pouco mais a fundo, fica evidente a presença de algumas tendências mundiais relacionadas aos métodos de pagamento.
N°1. O domínio global das carteiras digitais
Nos últimos anos, temos assistido a uma queda global no uso de dinheiro em espécie, seguida de perto por uma redução no uso de cartões de crédito. Em contraste, houve um aumento considerável nos pagamentos digitais sem cartão.
O crescimento das carteiras digitais aconteceu após transformações importantes nos processos bancários ao redor do mundo, já que hoje os usuários podem abrir contas financeiras em poucos minutos e usá-las de forma totalmente digital. O cenário está evoluindo em um ritmo sem precedentes, impulsionado também por tecnologias emergentes como a inteligência artificial. Segundo um relatório da The Business Research Company, o mercado global de IA para o setor fintech deve crescer 31% ao ano e atingir US$52 bilhões até 2029. Esse crescimento será liderado por tendências como finanças descentralizadas (DeFi), modelos de score de crédito, cibersegurança, entre outros.
Em 2024, as carteiras digitais representaram mais de um terço dos gastos globais de consumidores e empresas, segundo a Worldpay (2025), somando US$16 trilhões. Até 2030, esse volume poderá chegar a US$28 trilhões. Grande parte desse avanço está atrelado ao uso de smartphones: estima-se que, em 2030, um em cada dois pagamentos em lojas físicas será feito por meio de celular. Essa tendência pode se expandir ainda mais com o uso de dispositivos inteligentes como os smartwatches.
Um ponto interessante a destacar é o crescimento do uso dos sistemas de pagamento em tempo real (RTP) em todo o mundo — uma tendência que explicaremos mais adiante — e como isso se correlaciona diretamente com o uso de carteiras digitais. O UPI é um exemplo emblemático: trata-se do sistema usado para abastecer carteiras digitais como PhonePe e Paytm, utilizadas por 91% dos consumidores na Índia (ACI Worldwide, 2024). No ponto de venda físico (POS), espera-se que o uso de carteiras digitais na Índia (e, consequentemente, do UPI) atinja uma participação de 76% no volume de vendas até 2030, como mostra o gráfico a seguir.

O uso de carteiras digitais continuará crescendo à medida que a geração Z se torne a principal força de trabalho e de consumo no mundo. Nos Estados Unidos, a adoção de carteiras digitais entre os jovens da geração Z já chega a 91%, sendo que 41% deles realizam transações mais de cinco vezes por mês.

Principais carteiras digitais ao redor do mundo
Ao analisar mais a fundo os dados recentes sobre o panorama do mercado, observamos que as marcas de carteiras digitais mais usadas no mundo são Alipay, Apple Pay, Google Pay e PayPal. Além do Alipay, essas carteiras globais são meios que permitem transações com cartões tokenizados e armazenados de forma segura para compras futuras, o que representa uma evolução digital dos pagamentos com cartão de crédito e débito. Isso mostra que, apesar da queda do volume de pagamentos diretos com cartão de crédito, os cartões ainda desempenham uma função essencial de atuar como redes de pagamento subjacentes a uma interface digital perfeitamente integrada — como veremos na tendência nº 3.
Naturalmente, existe uma multiplicidade de carteiras digitais; vários líderes locais ou regionais que não dependem de redes de cartões têm despontado em alguns mercados, como o GCash nas Filipinas, a M-PESA no Quênia e o Mercado Pago na América Latina.
Nº 2. O crescimento dos pagamentos em tempo real
Não é nenhuma surpresa que os sistemas de pagamento em tempo real (RTP) venham ganhando terreno como principal mecanismo de pagamentos, usado tanto por meio de carteiras digitais como de forma independente. Alguns casos de uso desses sistemas são o PromptPay na Tailândia, Bizum na Espanha, PayShap na África do Sul e NPP na Austrália. A equipe da PCMI identificou essa tendência pela primeira vez em 2021 e confirmou sua precisão. Atualmente, há quase 50 sistemas globais de pagamentos em tempo real em desenvolvimento em todo o mundo. Essas iniciativas têm como objetivo promover a inclusão financeira e eliminar ineficiências. Em alguns casos, destinam-se também a melhorar a movimentação internacional de dinheiro, sobretudo nos principais corredores globais: EUA-México, EUA-Índia e Emirados Árabes Unidos-Índia, sendo a Índia o principal destinatário de remessas.
Em 2028, os pagamentos em tempo real representarão 27% de todos os pagamentos eletrônicos mundiais, de acordo com a ACI Worldwide.2

Segundo dados da ACI Worldwide, o UPI da Índia e o Pix do Brasil se destacam como grandes disruptores no cenário global de RTP, com crescimentos de 45% e 78%, respectivamente, em 2023. No caso do UPI, ele representa 84% de todas as transações eletrônicas na Índia. É graças ao UPI que a região Ásia-Pacífico é considerada a mais relevante no uso de RTP, com um volume de transações que deve alcançar a impressionante marca de US$351,5 bilhões até 2028. Em contraste, regiões como o Oriente Médio devem atingir apenas US$3 bilhões; ainda assim, os dados da ACI Worldwide apontam o Oriente Médio como a região de crescimento mais rápido entre 2023 e 2028, com uma taxa anual composta (CAGR) de 29%.
Na América Latina, a contribuição do Pix para o cenário de RTP é inegável. Até 2027, estima-se que 51% das transações de comércio eletrônico no Brasil sejam realizadas por meio desse método de pagamento, segundo dados da PCMI (ver gráfico abaixo). Impulsionados por esse sucesso, outros mercados latino-americanos estão replicando o modelo, especialmente Colômbia e Peru. A ACI Worldwide projeta que os sistemas de RTP nessas duas economias terão um crescimento anual de 43% e 51%, respectivamente, entre 2023 e 2028. Na Colômbia, o Bre-B — o novo sistema de pagamentos considerado “o Pix colombiano” — será lançado no segundo semestre de 2025.

Nº 3. As pessoas continuam usando cartões, mas por meio de carteiras digitais
O uso direto de cartões de crédito e débito representou, respectivamente, 20% e 12% dos pagamentos no comércio eletrônico em 2024, e 25% e 22% nos POS, segundo dados da Worldpay (2025). Assim, esses são o segundo e o terceiro métodos de pagamento mais utilizados globalmente, atrás apenas das carteiras digitais.
No entanto, embora as carteiras digitais estejam absorvendo a fatia que antes pertencia ao uso direto dos cartões, os cartões ainda continuam sendo usados — agora para financiar dessas carteiras. Isso pode criar uma imagem distorcida do real poder dos cartões de crédito como meio de pagamento, já que o método rastreado na compra acaba sendo a carteira e não o cartão. Em uma pesquisa realizada pela Worldpay, descobriu-se que 56% dos consumidores no mundo costumam adicionar saldo à sua carteira digital usando cartões; essa proporção é ainda maior em países como Austrália e Estados Unidos, onde o uso de cartões como forma de financiamento chega a 70% entre os usuários (ver gráfico).

Para dimensionar o real valor dos cartões, a Worldpay realiza um exercício interessante: considera o uso direto de cartões em 2024 — que representou 45% do volume global de transações — e adiciona a estimativa de que 56% dos pagamentos feitos por carteiras digitais são, na verdade, financiados por cartões. Essa soma nos leva a 65% das transações globais sendo efetivamente realizadas com cartões, totalizando US$29 trilhões em 2024. Em contraste, as carteiras digitais abastecidas por outros métodos que não cartões representam apenas 15% das transações.
Nº 4. O dinheiro em espécie está chegando ao seu ponto mais baixo
Embora o dinheiro em espécie tenha perdido espaço para métodos digitais mais rápidos e convenientes, como carteiras digitais e pagamentos conta a conta (A2A), ele ainda mantém presença global — e tudo indica que está se estabilizando. Entre 2024 e 2030, a Worldpay projeta uma queda modesta de apenas 2% ao ano no uso do dinheiro, chegando a uma participação de 11% no volume global de transações em 2030. Em termos absolutos, isso representa uma redução de US$5,6 trilhões para US$5 trilhões. A pandemia acelerou essa tendência ao impulsionar os pagamentos por aproximação, enquanto a digitalização financeira atraiu milhões de novos usuários ao redor do mundo.
No entanto, o dinheiro não está desaparecendo — está encontrando seu ponto de equilíbrio. Em mercados desenvolvidos como EUA, Canadá, França e Reino Unido, o uso no pós-pandemia se manteve acima de 10%. E em países como Colômbia, México, Indonésia, Nigéria, Peru e Filipinas, o dinheiro ainda é o principal meio de pagamento presencial em 2024. Até mesmo nos países nórdicos — referências globais em digitalização — o dinheiro representa cerca de 4% do volume de pagamentos presenciais, e apenas a Noruega projeta queda abaixo de 3% até 2030. Esses dados sugerem que, mais do que sumir, o dinheiro em espécie está encontrando seu piso e pode atingir níveis estáveis nos próximos anos.

Na América Latina, o cenário é particularmente diverso. O uso de dinheiro em espécie varia conforme o nível de digitalização e a infraestrutura financeira de cada país. Em mercados mais digitalizados, como Chile ou Brasil, a penetração do dinheiro é inferior a 20%, sendo mais comum em áreas rurais. Em outros, como Colômbia ou Argentina, onde a aceitação de pagamentos digitais por pequenos comércios está crescendo, o dinheiro ainda representa entre 20% e 60% do ecossistema, especialmente para necessidades básicas e setores menos digitalizados, como habitação e serviços públicos. Por fim, em países com menor infraestrutura ou competição fintech, o uso do dinheiro ultrapassa os 60% e segue sendo transversal em toda a economia.
Próximos passos
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Fontes:
- Worldpay. (2025). Global Payments Report 2025 ↩︎
- ACI Worldwide. 2024. Prime Time for Real-Time Report ↩︎

